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| Os Bosques da Brisa do Sul |
O sol da tarde já brilhava no céu com força. O vento
batia com calma nas folhas dos Bosques da Brisa do Sul. Neles vinha um cheiro
de mar, de areia, de verão. Os bosques eram um lugar perfeito para descansar. O
clima tropical proporcionava um ambiente agradável. Não se ouvia quase nenhum
barulho naquele lugar, apenas o canto dos pássaros e da brisa que vinha da
costa. Exceto naquela tarde. Havia um barulho diferente naqueles bosques. Era
um barulho típico de guerra, o barulho de lâminas se chocando, que quebravam a
calma do lugar. Lâminas de espadas.
A luta era composta por dois homens: Marco, o líder da
Armada de Urano, paladino formado na Academia Mágicka de Mysidia, protetor
oficial da belíssima princesa Anitta Von Tia’bra; e um misterioso homem em
negro, coberto por uma capa e um capuz, tinha boas habilidades com armas de
Assassins e manipulava bem tanto as Black quanto as Time Magicks, era um excelente
guerreiro, porém pouco se sabia sobre ele. A luta dos dois era acirrada. Nem
um, nem o outro conseguia ferir o adversário. Já estava ficando cansativo
aquilo tudo. Não era uma batalha até a morte. Marco só queria derrota-lo para o
levar até Anelleh sob custódia, e o homem só queria o derrotar para poder
continuar sua fuga.
A luta demorara tanto que Anitta acabou recuperando a
consciência e se levantou do chão. O sequestrador não percebera que sua refém
tinha despertado e acabou se distraindo por um tempo. Então, Marco lhe dera um
chute nos joelhos e o derrubou no chão. Antes que ele pudesse se levantar,
Marco apontou a ponta de sua Greatsword para o peito do homem.
- Você vai ganhar mais ficando quietinho, sério. – disse
Marco, ofegante com o esforço que teve para derrotar seu adversário.
Ao ver que estava derrotado, o homem acabou desfazendo
suas lâminas de sombra (Shadow Blades), ficando desarmado. A princesa se
aproximou dos dois para ver melhor quem a raptara.
- Se afaste, Alteza. Este homem é perigoso. – disse Marco.
- Fique tranquilo, Marco. Só quero que ele me responda
algumas perguntas.
A princesa se aproximou do homem e se ajoelhou tentando enxergar
melhor o rosto dele, que continuava coberto pelo capuz.
- Acho que você me deve uma explicação pra toda essa
confusão, certo? – perguntou Anitta ao sequestrador.
- Acho que sim. – respondeu ele após dar um suspiro de
insatisfação com a derrota. – Posso pelo menos me levantar para poder me
explicar?
- Claro que não. – respondeu Marco rispidamente.
- Deixe-o, Marco. Quero ouvir o que ele tem a dizer.
- Mas, Vossa Alteza, ele a sequestrou. Ele ainda lhe
oferece perigo. Antes vou algemá-lo, para que ele não fuja.
Marco levantou o homem e o algemou bem antes que ele
falasse com a princesa.
- Bom? O que tem a me dizer? – perguntou Anitta, ainda um
pouco atordoada com a queda.
- Desculpe-me por tê-la colocado em perigo, Majestade.
Tinha que falar com Vossa Alteza o mais rápido possível. – respondeu o homem em
baixo tom.
- Agora é a sua chance. Antes, me diga qual é o seu nome.
– disse Anitta.
O homem suspirou, contrariado com o pedido da princesa e
disse:
- Llynx. Meu nome é Llynx.
- Certo, Llynx. Agora, me responda. Por qual motivo você
me raptou?
- Preciso do auxílio de Vossa Graça. Há uma pessoa que
precisa de suas habilidades com White Magicks. É uma amiga. Ela está muito mal.
Está com uma doença gravíssima, e está com a vida por um fio. Soube que Vossa
Graça tem poderes extraordinários e é uma das melhores White Mages que existem.
- Llynx não levantou o tom de voz, permaneceu frio, falando baixo.
- O que ela tem?
- Não sei. Faz dias que ela está assim. Tentamos de tudo,
mas nada a reanimava. Tememos que ela possa morrer.
- E por que você não entrou no palácio e marcou uma
audiência com a princesa, para que isso fosse resolvido? – interveio Marco, não
convencido com a justificativa de Llynx.
- Seria impossível pedir isso a princesa por uma
audiência. A burocracia do palácio é terrível. Nunca me deixariam falar com a
princesa para pedir esse favor.
De fato, a burocracia no palácio era mesmo irritante.
Caso alguém quisesse falar ou com o Imperador ou com a princesa, era necessário
marcar hora, e muitas vezes os guardas barravam os visitantes ou não eram
recebidos, caso as majestades não quisessem atender. Mas Anitta não era assim.
Sempre estava disposta a ajudar os outros. Não negaria ajuda a Llynx caso ele
falasse com ela por uma audiência.
- Sim, concordo com você. – disse Anitta para Llynx. –
Muitas pessoas que vão para uma audiência são facilmente dispensadas pelos
guardas. Não o culpo por isso. Mas não entendo porque você me raptou. Não
precisava fazer isso.
- Eu sei, e peço desculpas por isso mais uma vez. Mas não
pensei em outra forma de falar com Vossa Graça. Essa pessoa doente precisa de
suas habilidades o mais depressa possível.
- E como podemos saber se você não está mentindo? –
perguntou Marco, ainda desconfiado.
- Não farei mal algum à princesa. Não vou força-la a vir
comigo. Ela já é adulta e tem vontade própria, pode decidir o que fazer ou não.
Anitta se surpreendeu com o que Llynx dissera. Era a
primeira vez que ouvia aquelas palavras numa mesma frase desde que atingiu a
maioridade. Nunca mais que ouviria uma coisa dessas de alguém. Ainda mais daquele
homem desconhecido que estava ali. Ela tentou analisar bem o sujeito para ver
se valia a pena fazer o que pedia. Pelo que ela viu, pareceu que o homem não
era um homem mais velho. Era um rapaz, não muito mais velho que Marco. Não era
possível adquirir mais detalhes por causa das vestimentas que o escondiam
muito, mas Anitta não sentiu malícia nas palavras de Llynx e pensou em dar um
voto de confiança no que ele disse.
- Acredito em você, Llynx. – disse Anitta. – Você fez uma
coisa errada, mas com boas intenções. Acho que não vai me custar atender ao seu
pedido.
- Isso é bom, Alteza. Agradeço por me ouvir. – Llynx
estava agradecido, mas não demonstrava estar alegre com a resposta da princesa.
Parece que não fazia diferença o que ela poderia lhe dizer.
- Liberte-o, Marco. – voltou-se a princesa ao seu
guarda-costas.
- Mas, Alteza, tem certeza? Ainda é jovem, não sabe das
pessoas. Como elas agem umas com as outras.
A princesa se sentiu ofendida com o que ouviu de Marco.
- Disso eu tenho muita experiência. – respondeu ela com
nervosia. – Convivi com gente da alta sociedade desde a minha infância, e sei
distinguir muito bem quem tem bom coração ou quem só quer saber de aproveitar
dos outros. Não preciso que você tome decisões por mim, Marco.
- Me desculpe, minha princesa. – respondeu Marco,
enquanto retirava as algemas de Llynx.
- Então, senhor Llynx, onde está essa pessoa que você
quer que eu trate?
- Ela não se encontra nas redondezas, infelizmente. –
respondeu ele enquanto passava as mãos pelos pulsos para aliviar a irritação
das algemas. – Ela está na cidade de Fontaine.
- Fontaine? Essa cidade fica a quilômetros daqui. – Marco
se intrometeu mais uma vez. – Como quer que a princesa vá até lá?
Anitta estava começando a ficar nervosa com a preocupação
excessiva de Marco. Ela o repreendeu com o olhar.
- Como eu ia dizendo, Alteza. - continuou Llynx,
ignorando Marco. – Irmos a pé até Fontaine fica fora de mão. É melhor
esperarmos até amanhã e irmos para Ghest’al. De lá, pegamos o trem do Festival
da Caçada e vamos até Fontaine nele.
Marco e Anitta nem se lembraram de que, no dia seguinte
da comemoração do aniversário de Tia’bra, os Clan Hunters realizavam o Festival
da Caçada. Durante este festival, várias pessoas membros do Clan Hunters, um
grupo de caçadores de elite, iam para as Montanhas Valendia caçar monstros e
criaturas terríveis. Não era bem uma competição, era mais para uma colaboração
de muitos. No final, aquele que matasse a criatura mais vil e perigosa ganhava
um prêmio em dinheiro.
Anitta consentiu com a ideia de Llynx.
- Certo. E onde ficaremos até então?
- Não podemos voltar a Tia’bra, pois podem me prender e
te devolver ao palácio. Se formos para Ghest’al agora e dormirmos em uma
pousada lá, corremos o risco de acordar com a cidade entupida de soldados do
Império atrás de nós. Como já está quase anoitecendo, sugiro que fiquemos aqui
pelos bosques mesmo.
- Então, vamos montar um pequeno acampamento. Partiremos
amanhã para pegarmos o trem dos caçadores. – concluiu Anitta.
Andaram até não muito longe dali, até chegarem a um lugar
mais plano dos bosques, capaz de montar uma cabana sem que algumas criaturas
selvagens os atacassem. Marco retirou do bolso um tubo de tamanho mediano.
Dentro dele tinha algumas hastes e um toldo para montar cabanas. Enquanto Marco
montava a cabana, Anitta se afastou um pouco para admirar a natureza que pouco
via de perto.
Marco olhou para Llynx, que olhava na direção de Tia’bra.
Sabe-se lá o que passava na cabeça daquele rapaz. Talvez estivesse verificando
se os Imperiais estavam por perto.
- Essa cabana é para a princesa. – disse Marco. – Se
quiser dormir em uma, se vira.
Llynx continuou a olhar na direção em que estava sem se
deixar provocar pelo que Marco lhe dissera. Ignorou-o, como fez há poucos
instantes.
Anitta estava feliz por sair do palácio. Llynx lhe dera
uma chance de viver um pouco de aventura, embora ela soubesse que seria por
pouco tempo. Anitta tocava as árvores e as folhas como se nunca soubesse o que
era aquilo. Sentia a brisa do sul com cheiro de mar bater em seu rosto. Não
havia sensação melhor para quem passou a maior parte da vida trancafiada em um
palácio.
A noite caíra e Anitta fora dormir cedo, pois estava
cansada com aquele dia. Marco não dormiu aquela noite, pois temia que Llynx
tentasse raptar a princesa novamente. Marco sentou-se ao lado da fogueira que
fora feita ao lado da barraca de Anitta e ficou vigiando as redondezas e Llynx,
caso acontecesse alguma coisa de suspeito. Mas Llynx não demonstrava estar
preocupado com a princesa ou com Marco. Llynx subiu em uma árvore e ficou
olhando o horizonte de cima dela. Foi lá onde ele passou a noite toda.
Amanheceu. Anitta despertou assim que o sol brilhou na
copa das árvores dos bosques. Ao sair da cabana, foi recebida por Marco.
- Bom dia, Alteza. – disse ele com um sorriso.
- Bom dia, Marco!
- Como passou a noite? Conseguiu dormir bem?
- Sim, foi uma boa experiência dormir em uma barraca.
- Lamento por não ter arranjado um lugar melhor para
descansar. Vossa Graça não merece dormir dessa forma.
- Não se preocupe, Marco. Estou ótima. Eu é que lamento
por você ter passado a noite me vigiando. Não gosto que faça isso, mesmo com
boas intenções. Acho que se esforça muito.
Marco sorriu e sentiu ficar corado pelas doces palavras
que ouvira.
- Não foi nada, Alteza. Só estou cumprindo o meu dever.
- E está fazendo um ótimo trabalho! – disse a princesa
com um belo sorriso, jogando as mãos para trás, como se estivesse com vergonha
de dizer aquilo.
Os dois se olharam por alguns instantes e sorriram um
para o outro. Depois de alguns instantes, o silêncio incomodou Anitta.
- Então, acho que não vamos ficar aqui nos olhando o dia
todo, certo? – disse Anitta, quebrando o silêncio. Estava um pouco
envergonhada.
- Não, não. – respondeu ele com uma risada. - Vamos
continuar o que viemos fazer.
Nisso, Llynx desceu da copa da árvore e caiu ao lado de
Marco. Ao atingir o chão, se limpou de algumas folhas que caíram sobre ele.
- Bom dia, senhor Llynx. – disse a princesa.
Llynx respondeu o bom dia da princesa, mas com muita
frieza em sua voz. Ela ficou um pouco sem graça com a atitude dele, mas não se
importou muito. Llynx na maioria do tempo falava com frieza. Não mudava de tom.
As suas vestes o descrevia: era misterioso, frio e calculista. Não se sabia
muito daquele homem; de onde vem, o que faz, qual é sua família.
Marco não ficou satisfeito com a frieza de Llynx.
- Quando partiremos? – perguntou Marco em tom grosseiro.
- Agora. – respondeu Llynx.
Marco desmontou a barraca em que Anitta dormira. Só de
ver a barraca dava vontade de deitar e descansar por um tempo. Não foi fácil
ficar na correria que teve no dia anterior e ainda virar a noite acordado de
sentinela.
Ao terminar de desmontar a barraca, Llynx avisou aos
dois.
- Ah, ia me esquecendo de falar. Primeiro precisamos que
você troque suas roupas. – disse ele a Anitta. –Todos te conhecem e a roupa
chama muito a atenção. Não queremos levantar suspeitas.
- Mas o que a princesa vestirá? Ela não pode sair nua por
aí! – disse Marco, um pouco revoltado.
- E segundo, é melhor você parar de trata-la formalmente.
Precisamos manter sigilo absoluto. – respondeu Llynx com rispidez. –
Compraremos roupas para Anitta assim que chegarmos a Ghest’al.
- Petulante. – resmungou Marco.
Anitta viu que Llynx tinha razão e tentou consolar Marco,
dizendo que o mago tinha razão. Teriam que manter sigilo para salvar a vida de
quem Llynx havia pedido. Os três saíram em caminhada ao noroeste, para alcançar
Ghest’al. Pelo caminho, enfrentaram algumas criaturas selvagens, mas nem sinal
dos soldados do Império.
Finalmente, depois de três horas de caminhada, chegaram à
pequena cidade. Ghest’al era uma cidade de pequeno porte. Era conhecida por
abrigar a sede dos Clan Hunters, os caçadores de elite que caçavam monstros,
criaturas e até pessoas a serviço de outras. Não eram assassinos, nem
justiceiros. Só caçavam pessoas e criaturas que faziam mal a outras pessoas.
Quando cumpriam uma missão, ganhavam uma recompensa e, dependendo do nível da
caçada, poderia adquirir uma qualificação maior e sair em busca de alvos mais
fortes e mais valiosos.
Ao chegarem, passaram pelas partes menos populosas da
cidade, onde certamente ninguém os reconheceria.
- Vou na frente ver se tem alguém que pode nos impedir. –
disse Llynx.
Llynx passou por alguns becos até chegar ao centro da
cidade. Lá, ele encontrou o que ele temia encontrar. A cidade estava infestada
de Imperiais. Seria impossível passar com Anitta vestida daquele jeito. Llynx
retornou para onde os dois estavam.
- Os Imperiais estão por todos os lados. Temos que
arranjar uma forma de te deixar menos reconhecida. – disse ele para Anitta.
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| Uma das ruas de Ghest'al, com o brechó ao fundo. |
Marco, ao ouvir aquilo, pensou se não seria melhor chamar
os Imperiais para prender Llynx e voltar à rotina, mas fora puxado pelo braço
por Anitta até um pequeno brechó ali perto. Llynx ficou do lado de fora,
vigiando caso algum soldado do Império entrasse. Marco e Anitta chegaram perto
do balcão, onde foram recebidos por uma mulher já mais velha.
- Alteza! Que honra recebe-la aqui! Capitão Marco, também
é ótimo recebe-lo! – disse a atendente com euforia. Os dois responderam com um
sorriso. – Em que posso ajudar?
- Preciso de uma roupa mais simples. – respondeu Anitta,
engolindo em seco pelo que a atendente poderia responder.
- Hm... Alteza, desculpe minha curiosidade. Mas por que
Vossa Graça quer comprar da minha loja? Tenho roupas tão simples e feias. As
suas são deslumbrantes! Olha o seu vestido, por exemplo!
De fato, Anitta estava muito bela. Estava com um vestido
azul claro, cheio de detalhes com brilhantes e diamantes. Estava muito
chamativo para a fuga.
- Obrigado, mas realmente preciso de roupas mais simples.
Poderia me mostrar?
- Claro! Desculpe minha intromissão. – respondeu a
atendente.
Ela saiu de trás do balcão e foi ajudar a princesa a
escolher suas roupas. Demoraram um pouco para escolher tudo. Depois de um
tempo, a princesa saiu dos fundos do brechó e se aproximou de Marco, que estava
de frente à porta também na vigia.
- Marco, olhe só. O que você achou?
Marco se virou e viu como sua princesa havia mudado. Seus
longos cabelos loiros foram jogados para trás e parte deles fora preso com um
laço azul. Trocara seu vestido por uma blusa branca de manga longa com babados
nas mangas e um pequeno decote. Estava com um colete azul por cima da blusa. Usava
uma calça colada azul e um par de sapatos brancos. A calça mostrava muito bem
suas curvas. O único acessório que tinha era um pequeno cristal que ganhara de
sua falecida mãe. Ela estava tão bela quanto antes.
- Está deslumbrante, princesa. Belíssima. – respondeu
ele.
Anitta ficou satisfeita com a resposta. Estava feliz e um
pouco envergonhada. Naquele momento, Llynx entrou no brechó para pedir que se
apreçassem. Ele viu a princesa com suas novas roupas e parou um pouco.
- O que acha, Llynx? Está bom?
Llynx agiu com indiferença.
- Sim, mas só falta uma coisa.
Ele foi em direção a uma estante que estava com óculos
escuros. Pegou qualquer um e o entregou a Anitta.
- Ponha-o. Talvez ajude.
Anitta os colocou e foi ao um espelho para se arrumar.
Marco não tirava os olhos da princesa.
- Está babando. Quer um lenço? – perguntou Llynx para
Marco em um tom baixo o suficiente para que a princesa não ouvisse.
Marco se irritou, mas ignorou Llynx. Ele foi em direção à
atendente e perguntou a quantia que deveria ser paga.
- Não vou lhe cobrar caro. – disse ela. – Para vocês,
cobro 250 gil.
Marco a pagou e agradeceu. Anitta deixou o brechó
contente com suas novas roupas. Estava pronta para a aventura. Ao sair, Llynx a
parou novamente.
- Tome. – disse ele, lhe entregando um White Staff. – Vai
precisar disso para se defender.
Anitta pegou a arma e a admirou um pouco. Aquele cajado a
defenderia de seus inimigos.
- E lembrem-se. – disse Llynx. – Nada de formalidades
para não levantar suspeitas.
Os três saíram para o centro da cidade para pegar o trem.
Tentaram agir com muita discrição para não serem percebidos. Ao chegarem na
praça central de Ghest’al, ouviram um homem gritar de cima de uma estátua do Imperador.
- Aviso a todos que participarão do Festival da Caçada! O
trem vai partir em 15 minutos! Aprontem-se e embarquem logo.
Enquanto se aproximavam do trem, Marco estava pensando se
aquilo que iriam fazer era certo. Ainda podia voltar com a princesa e evitar
que ela corresse perigo. Nisso, um dedo cutucou seu ombro.
- Capitão? – disse uma voz.
Marco se virou e viu Biggs e Wedge no meio daquela
multidão.
- Biggs! Wedge! O que fazem aqui?
- Estávamos procurando pelo senhor. – respondeu Biggs. –
Depois que o senhor e a princesa sumiram de Tia’bra, o Capitão Gilgamesh
imaginou que estariam nas redondezas e mandou as Armadas virem busca-los.
- O senhor conseguiu encontrar a princesa? – perguntou
Wedge.
Marco deu um nó na garganta. Não sabia o que responder.
Se dissesse que sim, prenderia Llynx e trancaria Anitta novamente no palácio.
Se não, poderia continuar a viagem com ela até Fontaine e resolver esse
problema. As palavras demoraram para sair da boca de Marco.
- Não... – disse ele. – Não. Não a encontrei ainda. Quem
mais está aqui?
- Há soldados de ambas armadas aqui, capitão. – respondeu
Wedge.
- Procurem nas redondezas. Vou procurar a princesa no
trem antes que ele parta. Encontrem-me aqui assim que o trem sair. – ordenou
Marco.
Biggs e Wedge fizeram continência e sumiram no meio da
multidão. Marco suspirou e estava um pouco arrependido de mentir para seus
homens. Mas já era tarde, não podia voltar atrás. Seguiu em frente e embarcou
no trem. Anitta e Llynx já o esperavam lá dentro.
![]() |
| O trem do Festival da Caçada. |
- Acabei de encontrar com Biggs e Wedge. Vou ter que
transitar pelo trem para não levantar suspeitas. – Marco olhou para Llynx e
custou a fazer com que as palavras a seguir saíssem por sua boca. – Cuide de
Anitta até eu voltar.
Anitta se surpreendeu com o pedido de Marco. Llynx
balançou a cabeça concordando e Marco sumiu em meio ao tumulto que o trem
estava. Anitta tentou procurar os olhos de Llynx no meio daquela escuridão para
conversar.
- É estranho ouvir isso dele. Ele sempre quis me proteger
e estar ao meu lado. – disse ela, rindo.
- Ele se preocupa muito com você. – disse Llynx.
Anitta pensou em Marco e no bem que ele transmitia a ela.
Era ótimo ter ele ao seu lado. Sentia-se segura e protegida.
- Vamos procurar um lugar para nos sentar. – sugeriu
Llynx.
Instantes depois que Llynx e Anitta acharam uma poltrona
para se sentar, o trem apitara e deu a partida. Estava deixando a estação de
Ghest’al naquele momento, em direção a Fontaine. Se tudo corresse bem,
chegariam a Fontaine antes de anoitecer.
Marco deu umas voltar no trem e viu a paisagem dos
prédios passando. Estava arrependido do que acabara de fazer com seus soldados
e se sentou em um banco, suspirando. Nem percebera que alguém estava passando a
mão pelos seus bolsos, tentando lhe roubar. Só sentira quando a mão escorregou
com um solavanco do trem e bateu em sua cintura. Quando percebeu, estava sendo
assaltado por uma jovem. Ele rapidamente segurou o braço dela e apertou com
força.
- Como você é esperta. Tentando se aproveitar da minha
distração. Eu devia te prender agora. – disse ele.
A jovem tentava se soltar de qualquer forma. Marco estava
apertando com muita força o braço e estava o torcendo.
- Está me machucando! – disse ela. – Vai quebrar o meu
braço!
- Eu deveria fazer isso mesmo. Não merece tê-lo depois do
que fez.
- Me perdoe. Não farei isso mais. – ela começou a
derramar algumas lágrimas de dor.
Marco se levantou e a arremessou contra a poltrona. A
jovem passava a mão pelo braço machucado e estava com as marcas dos dedos do
paladino neles. Ela levantou sua face cheia de ira e lágrimas contra Marco.
- Maldito! Olhe o que você fez. – nisso, a jovem sacou
uma faca retorcida de seu cinto. – Jurei que nenhum homem iria me machucar mais
e vou cumprir essa promessa. Vou me vingar de você!
A jovem avançou para cima de Marco, mas ele conseguiu
desviar e a faca acertou a porta do vagão do trem, abrindo-a. Ele não entendia
o que ela queria dizer com se vingar dele. A porta aberta revelou alguns
soldados do Império chegando ao vagão e ficaram por entender o que estava
acontecendo. A jovem, irritada ainda tentou partir para cima do capitão. Pronto
para desviar da investida, ela foi mais ligeira e o agarrou por trás, colocando
a sua faca próxima à jugular dele.
- Solte o capitão! – disseram alguns soldados.
- E agora? Quem você acha mais forte? – disse ela para
Marco. – Minha Khukri está com sede. Que tal eu cortar o seu pescoço para
alimentá-la?
- Que bom, hein? Você tenta me roubar, não consegue e
agora tenta me matar. Vocês ladrões são muito previsíveis.
- Mas também podemos ser muito perigosos. – disse ela,
enquanto o puxava para trás.
- Por que quer se vingar de mim? Nem te conheço!
- Não se faz de sonso, palhaço! Você cavou sua sepultura
desde que matou meus pais!
-Eu?! Seus pais? Está louca?
Os Imperiais estavam armados com espadas e revólveres
apontados para a jovem que rendeu Marco. Ela gritava a toda hora que era para
se afastarem, ou o mataria. Ficou tanto tempo rendido e andando que chegaram ao
vagão onde Llynx e Anitta estavam. Ao ver que Marco estava rendido, Anitta se
levantou imediatamente e se pôs a gritar.
- Escute, moça, ordeno que liberte este homem agora!
- Ordena? – a jovem deu altas gargalhadas. – Quem você
pensa que é para mandar em mim?
- Sou a princesa Anitta Von Tia’bra, filha do Imperador
Cidolfus! – gritou ela, retirando seus óculos. Naquele momento todos os
caçadores pararam de ver a possível morte de Marco e repararam na princesa.
- A princesa? Aqui? – todos começaram a comentar,
surpresos por ela estar naquele trem.
Anitta percebeu a burrada que fez. Llynx demonstrou
decepção com ela por ter entregado o plano.
- Então a princesa está aqui? – disse uma voz familiar no
meio dos soldados. Era a voz de Gilgamesh. – Já suspeitava que a tivesse
encontrado, irmãozinho.
A jovem se surpreendeu por tantos Imperiais estarem
juntos que entrou em pânico.
- Vocês não vão me pegar! Não vão mesmo! – disse ela,
aproximando a sua Khukri ainda mais do pescoço de Marco.
- Eu acho que te conheço, mocinha. – disse Gilgamesh para
a jovem. – Vi seu retrato na sede do clube dos Clan Hunters. Como era seu nome
mesmo? Maya?
A jovem se calou, mas ficou ainda mais desesperada.
- Acho que temos aqui duas pessoas para serem presas,
irmãozinho. – disse Gilgamesh para o irmão. – Aquele carinha encapuzado do lado
da princesa e essa rata de esgoto em cima de você.
- Rata? RATA!? Como ousa, seu demônio?! – Maya largou
Marco e avançou para cima de Gilgamesh. – Depois do que você causou a minha
família? Desgraçado!
Quando Maya ia esfaquear Gilgamesh, ele a golpeou na
cabeça, fazendo com que caísse desacordada. Marco olhou a cena com espanto
enquanto passava a mão pelo pescoço para verificar se estava sangrando.
- Por que essa menina tem tanto ódio de você? – perguntou
Marco a Gilgamesh. – O que você fez à família dela?
- Digamos que fui obrigado a encomendar a família dela
para um lugar melhor do que Gaia. – respondeu Gilgamesh com gargalhadas.
Marco ficou aterrorizado com a atitude do irmão.
- Não acredito que você matou os pais dela por prazer.
Como pode? – disse ele.
- Ora, eles são a ralé da sociedade. Ninguém vai sentir
falta deles. – respondeu Gilgamesh com um pouco de risos. – Além do mais, eram
ladrões da pior laia. Ela também merece a morte.
Gilgamesh retirou sua espada japonesa recém-adquirida, a
Asura, e ia cravá-la nas costas de Maya. Quando ele ia mata-la, foi salva por
Anitta e Llynx que a levantaram e rapidamente se levantaram e ficaram ao lado
de Marco.
- E vocês? – perguntou Marco aos soldados que estavam ali,
decepcionado. – Admiram a atitude de seu líder?
Eles começaram a rir junto com Gilgamesh, em resposta a
Marco.
- É claro que sim. – respondeu Marco para si mesmo. – São
soldados corruptos, só pensam em se divertir à custa de outros. Os soldados da
minha Armada não fariam isso.
Gilgamesh parou de rir subitamente e levantou à espada
contra Marco.
- Tudo bem, chega de brincadeira. – disse ele ao irmão e
seus companheiros de viagem. – Entregue a princesa sem que ninguém se machuque.
Marco começou a recuar para proteger a princesa.
- Estou decepcionada com você, Gilgamesh. – disse Anitta.
– Como pode fazer isso? Não pode sair por aí matando as pessoas por diversão.
- Não se preocupe comigo, majestade. – respondeu
Gilgamesh com grosseria. – Já sou adulto e faço o que quero. Ao contrário de
você que faz o que os outros dizem que é melhor. Agora venha. O palácio te
aguarda.
- Com você? Nunca! – gritou ela antes de correr pelos
vagões do trem. Ela foi seguida por Marco e Llynx, que carregava Maya em seus
ombros.
- O que estão esperando, idiotas? Vão atrás dela! –
gritou Gilgamesh para seus soldados.
Os soldados perseguiram o grupo pelo trem com um vagão de
distância deles. Quando o grupo chegou ao último vagão antes da locomotiva,
Marco deu a ideia que subissem para fora do trem, ficando em cima dos vagões.
Marco ajudou Anitta a subir e depois ajudou Llynx com Maya. De lá de cima,
notaram onde estavam. Estavam em um lugar alto, coberto por nevoeiros.
Lembraram que os trilhos passavam por um lugar alto ao passar pelas terras de
Royale. Se caírem daquela altura, se espatifariam no chão como ovos caindo de
uma bancada de cozinha.
Ao avançarem, perceberam que os soldados de Gilgamesh os
seguiram pelo telhado. Os soldados partiram pra cima de Marco e este começou a
lutar contra os soldados. Llynx percebeu que precisava ajudar e disse para
Anitta tomar conta de Maya enquanto ele ajudava Marco.
Llynx sacou suas Shadow Blades e, num ataque surpresa,
ele as usou para perfurar um dos soldados e rapidamente se levantou para lutar
conta o outro. O soldado caiu ferido, quase morto. Os outros dois estavam
lutando com Llynx e Marco. O trem fazia muitos solavancos e os soldados não
tinham experiência com lutas em lugares em movimentos. Marco nocauteou seu
oponente com uma pancada com o cabo da Greatsword. Llynx se afastou um pouco e
usou Stop, uma Time Magick. O soldado ficou paralisado, sem movimento. Não
piscava e nem respirava. Tornou-se uma estátua.
- Nossa, quanta eficiência! Aplausos para vocês dois. –
disse Gilgamesh ao se aproximar aplaudindo. Quando terminou, sacou sua Asura. –
Agora é a minha vez!
![]() |
| A Black Magick Blizzard sendo conjurada em um monstro. |
Gilgamesh pulou em cima de Llynx. Ele desviou e soltou
uma Black Magick Blizzard na barriga de Gilgamesh. Ele se afastou um pouco, com
dor. Limpou alguns estilhaços de gelo e voltou para cima de Llynx. Marco
bloqueou o ataque e afastou a katana de si. Aproveitando, Gilgamesh chutou a
perna de Marco, derrubando-o. Llynx conjurou mais uma Blizzard em Gilgamesh,
dessa vez o derrubando. Gilgamesh se levantou e não gostou do que viu. Marco
estava com seu Limit Break carregado ao máximo.
- Fim de jogo, irmãozão. – disse Marco levantando sua
espada para o alto. – Espírito do diabo
da inquietação... Cleasing Strike! – Marco abaixou sua espada como se
estivesse dando um golpe no ar. Nisso, uma espada azul sombria apareceu embaixo
de Gilgamesh. O cabo dela começou a brilhar em três partes e subiu como um
foguete, acertando Gilgamesh no queixo com a ponta de sua lâmina, como um
gancho e depois desaparecendo no ar.
O impacto foi tão forte que ele quase caiu do trem.
Gilgamesh se levantou com sua boca sangrando. Infelizmente, enquanto se
levantava, Marco e Llynx perceberam que o Limit Break de Gilgamesh também
estava cheio.
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| Cloud usando Blade Beam em Sephiroth (Dissidia Final Fantasy). |
- Vai se arrepender, irmãozinho. – Gilgamesh levantou sua
Asura horizontalmente. – Blade Beam! – A espada japonesa começou a brilhar com
um azul pálido. Quando estava totalmente carregada, Gilgamesh cortou o ar com
ela e uma lâmina verde pálida começou a voar pelo ar na direção de Llynx,
Marco, Anitta e Maya.
Os dois ficaram próximos de Anitta e Maya para
protegê-las do ataque. Llynx disse algumas palavras em uma língua desconhecida
para si mesmo e criou uma barreira de sombras, protegendo os quatro contra o
ataque. A lâmina azul pálida se chocou contra a barreira de sombras e começou a
força-la. Llynx tentava aguentar firme o ataque e sentiu que a barreira não ia
resistir ao Limit Break.
- A barreira não vai aguentar mais muito tempo. – avisou
Llynx.
Mal terminou a frase e a barreira explodiu junto com a
lâmina. O impacto da explosão empurrou os quatro para fora do trem. Os quatro
caíram gritando em meio ao nevoeiro próximo aos altos trilhos sustentados por
altas e largas hastes de ferro. Gilgamesh olhou para baixo e viu o irmão cair
até desaparecer nos nevoeiros. Alguns soldados da Armada de Netuno ficaram ao
seu lado.
- E agora, senhor? – perguntaram a Gilgamesh.
- Agora seguiremos com a segunda parte do plano. Em breve
alcançaremos nossos objetivos e faremos um novo Império. – respondeu ele com
uma risada maléfica.
O que vai acontecer? Será que os quatro sobreviverão à
queda, ou algum deles não conseguirá? Serão capazes de chegar a Fontaine e
realizar o pedido de Llynx? Quem era Maya? Ela era uma pessoa boa ou ruim? E
Gilgamesh? Quais são os planos dele?
Se liguem no próximo capítulo de Final Fantasy XV para descobrir! Vem aí: Capítulo 4: O Jardim da Morte!





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