segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Capítulo 3: Plano de Fuga





Os Bosques da Brisa do Sul
O sol da tarde já brilhava no céu com força. O vento batia com calma nas folhas dos Bosques da Brisa do Sul. Neles vinha um cheiro de mar, de areia, de verão. Os bosques eram um lugar perfeito para descansar. O clima tropical proporcionava um ambiente agradável. Não se ouvia quase nenhum barulho naquele lugar, apenas o canto dos pássaros e da brisa que vinha da costa. Exceto naquela tarde. Havia um barulho diferente naqueles bosques. Era um barulho típico de guerra, o barulho de lâminas se chocando, que quebravam a calma do lugar. Lâminas de espadas.
A luta era composta por dois homens: Marco, o líder da Armada de Urano, paladino formado na Academia Mágicka de Mysidia, protetor oficial da belíssima princesa Anitta Von Tia’bra; e um misterioso homem em negro, coberto por uma capa e um capuz, tinha boas habilidades com armas de Assassins e manipulava bem tanto as Black quanto as Time Magicks, era um excelente guerreiro, porém pouco se sabia sobre ele. A luta dos dois era acirrada. Nem um, nem o outro conseguia ferir o adversário. Já estava ficando cansativo aquilo tudo. Não era uma batalha até a morte. Marco só queria derrota-lo para o levar até Anelleh sob custódia, e o homem só queria o derrotar para poder continuar sua fuga.
A luta demorara tanto que Anitta acabou recuperando a consciência e se levantou do chão. O sequestrador não percebera que sua refém tinha despertado e acabou se distraindo por um tempo. Então, Marco lhe dera um chute nos joelhos e o derrubou no chão. Antes que ele pudesse se levantar, Marco apontou a ponta de sua Greatsword para o peito do homem.
- Você vai ganhar mais ficando quietinho, sério. – disse Marco, ofegante com o esforço que teve para derrotar seu adversário.
Ao ver que estava derrotado, o homem acabou desfazendo suas lâminas de sombra (Shadow Blades), ficando desarmado. A princesa se aproximou dos dois para ver melhor quem a raptara.
- Se afaste, Alteza. Este homem é perigoso. – disse Marco.
- Fique tranquilo, Marco. Só quero que ele me responda algumas perguntas.
A princesa se aproximou do homem e se ajoelhou tentando enxergar melhor o rosto dele, que continuava coberto pelo capuz.
- Acho que você me deve uma explicação pra toda essa confusão, certo? – perguntou Anitta ao sequestrador.
- Acho que sim. – respondeu ele após dar um suspiro de insatisfação com a derrota. – Posso pelo menos me levantar para poder me explicar?
- Claro que não. – respondeu Marco rispidamente.
- Deixe-o, Marco. Quero ouvir o que ele tem a dizer.
- Mas, Vossa Alteza, ele a sequestrou. Ele ainda lhe oferece perigo. Antes vou algemá-lo, para que ele não fuja.
Marco levantou o homem e o algemou bem antes que ele falasse com a princesa.
- Bom? O que tem a me dizer? – perguntou Anitta, ainda um pouco atordoada com a queda.
- Desculpe-me por tê-la colocado em perigo, Majestade. Tinha que falar com Vossa Alteza o mais rápido possível. – respondeu o homem em baixo tom.
- Agora é a sua chance. Antes, me diga qual é o seu nome. – disse Anitta.
O homem suspirou, contrariado com o pedido da princesa e disse:
- Llynx. Meu nome é Llynx.
- Certo, Llynx. Agora, me responda. Por qual motivo você me raptou?
- Preciso do auxílio de Vossa Graça. Há uma pessoa que precisa de suas habilidades com White Magicks. É uma amiga. Ela está muito mal. Está com uma doença gravíssima, e está com a vida por um fio. Soube que Vossa Graça tem poderes extraordinários e é uma das melhores White Mages que existem. - Llynx não levantou o tom de voz, permaneceu frio, falando baixo.
- O que ela tem?
- Não sei. Faz dias que ela está assim. Tentamos de tudo, mas nada a reanimava. Tememos que ela possa morrer.
- E por que você não entrou no palácio e marcou uma audiência com a princesa, para que isso fosse resolvido? – interveio Marco, não convencido com a justificativa de Llynx.
- Seria impossível pedir isso a princesa por uma audiência. A burocracia do palácio é terrível. Nunca me deixariam falar com a princesa para pedir esse favor.
De fato, a burocracia no palácio era mesmo irritante. Caso alguém quisesse falar ou com o Imperador ou com a princesa, era necessário marcar hora, e muitas vezes os guardas barravam os visitantes ou não eram recebidos, caso as majestades não quisessem atender. Mas Anitta não era assim. Sempre estava disposta a ajudar os outros. Não negaria ajuda a Llynx caso ele falasse com ela por uma audiência.
- Sim, concordo com você. – disse Anitta para Llynx. – Muitas pessoas que vão para uma audiência são facilmente dispensadas pelos guardas. Não o culpo por isso. Mas não entendo porque você me raptou. Não precisava fazer isso.
- Eu sei, e peço desculpas por isso mais uma vez. Mas não pensei em outra forma de falar com Vossa Graça. Essa pessoa doente precisa de suas habilidades o mais depressa possível.
- E como podemos saber se você não está mentindo? – perguntou Marco, ainda desconfiado.
- Não farei mal algum à princesa. Não vou força-la a vir comigo. Ela já é adulta e tem vontade própria, pode decidir o que fazer ou não.
Anitta se surpreendeu com o que Llynx dissera. Era a primeira vez que ouvia aquelas palavras numa mesma frase desde que atingiu a maioridade. Nunca mais que ouviria uma coisa dessas de alguém. Ainda mais daquele homem desconhecido que estava ali. Ela tentou analisar bem o sujeito para ver se valia a pena fazer o que pedia. Pelo que ela viu, pareceu que o homem não era um homem mais velho. Era um rapaz, não muito mais velho que Marco. Não era possível adquirir mais detalhes por causa das vestimentas que o escondiam muito, mas Anitta não sentiu malícia nas palavras de Llynx e pensou em dar um voto de confiança no que ele disse.
- Acredito em você, Llynx. – disse Anitta. – Você fez uma coisa errada, mas com boas intenções. Acho que não vai me custar atender ao seu pedido.
- Isso é bom, Alteza. Agradeço por me ouvir. – Llynx estava agradecido, mas não demonstrava estar alegre com a resposta da princesa. Parece que não fazia diferença o que ela poderia lhe dizer.
- Liberte-o, Marco. – voltou-se a princesa ao seu guarda-costas.
- Mas, Alteza, tem certeza? Ainda é jovem, não sabe das pessoas. Como elas agem umas com as outras.
A princesa se sentiu ofendida com o que ouviu de Marco.
- Disso eu tenho muita experiência. – respondeu ela com nervosia. – Convivi com gente da alta sociedade desde a minha infância, e sei distinguir muito bem quem tem bom coração ou quem só quer saber de aproveitar dos outros. Não preciso que você tome decisões por mim, Marco.
- Me desculpe, minha princesa. – respondeu Marco, enquanto retirava as algemas de Llynx.
- Então, senhor Llynx, onde está essa pessoa que você quer que eu trate?
- Ela não se encontra nas redondezas, infelizmente. – respondeu ele enquanto passava as mãos pelos pulsos para aliviar a irritação das algemas. – Ela está na cidade de Fontaine.
- Fontaine? Essa cidade fica a quilômetros daqui. – Marco se intrometeu mais uma vez. – Como quer que a princesa vá até lá?
Anitta estava começando a ficar nervosa com a preocupação excessiva de Marco. Ela o repreendeu com o olhar.
- Como eu ia dizendo, Alteza. - continuou Llynx, ignorando Marco. – Irmos a pé até Fontaine fica fora de mão. É melhor esperarmos até amanhã e irmos para Ghest’al. De lá, pegamos o trem do Festival da Caçada e vamos até Fontaine nele.
Marco e Anitta nem se lembraram de que, no dia seguinte da comemoração do aniversário de Tia’bra, os Clan Hunters realizavam o Festival da Caçada. Durante este festival, várias pessoas membros do Clan Hunters, um grupo de caçadores de elite, iam para as Montanhas Valendia caçar monstros e criaturas terríveis. Não era bem uma competição, era mais para uma colaboração de muitos. No final, aquele que matasse a criatura mais vil e perigosa ganhava um prêmio em dinheiro.
Anitta consentiu com a ideia de Llynx.
- Certo. E onde ficaremos até então?
- Não podemos voltar a Tia’bra, pois podem me prender e te devolver ao palácio. Se formos para Ghest’al agora e dormirmos em uma pousada lá, corremos o risco de acordar com a cidade entupida de soldados do Império atrás de nós. Como já está quase anoitecendo, sugiro que fiquemos aqui pelos bosques mesmo.
- Então, vamos montar um pequeno acampamento. Partiremos amanhã para pegarmos o trem dos caçadores. – concluiu Anitta.
Andaram até não muito longe dali, até chegarem a um lugar mais plano dos bosques, capaz de montar uma cabana sem que algumas criaturas selvagens os atacassem. Marco retirou do bolso um tubo de tamanho mediano. Dentro dele tinha algumas hastes e um toldo para montar cabanas. Enquanto Marco montava a cabana, Anitta se afastou um pouco para admirar a natureza que pouco via de perto.
Marco olhou para Llynx, que olhava na direção de Tia’bra. Sabe-se lá o que passava na cabeça daquele rapaz. Talvez estivesse verificando se os Imperiais estavam por perto.
- Essa cabana é para a princesa. – disse Marco. – Se quiser dormir em uma, se vira.
Llynx continuou a olhar na direção em que estava sem se deixar provocar pelo que Marco lhe dissera. Ignorou-o, como fez há poucos instantes.
Anitta estava feliz por sair do palácio. Llynx lhe dera uma chance de viver um pouco de aventura, embora ela soubesse que seria por pouco tempo. Anitta tocava as árvores e as folhas como se nunca soubesse o que era aquilo. Sentia a brisa do sul com cheiro de mar bater em seu rosto. Não havia sensação melhor para quem passou a maior parte da vida trancafiada em um palácio.
A noite caíra e Anitta fora dormir cedo, pois estava cansada com aquele dia. Marco não dormiu aquela noite, pois temia que Llynx tentasse raptar a princesa novamente. Marco sentou-se ao lado da fogueira que fora feita ao lado da barraca de Anitta e ficou vigiando as redondezas e Llynx, caso acontecesse alguma coisa de suspeito. Mas Llynx não demonstrava estar preocupado com a princesa ou com Marco. Llynx subiu em uma árvore e ficou olhando o horizonte de cima dela. Foi lá onde ele passou a noite toda.
Amanheceu. Anitta despertou assim que o sol brilhou na copa das árvores dos bosques. Ao sair da cabana, foi recebida por Marco.
- Bom dia, Alteza. – disse ele com um sorriso.
- Bom dia, Marco!
- Como passou a noite? Conseguiu dormir bem?
- Sim, foi uma boa experiência dormir em uma barraca.
- Lamento por não ter arranjado um lugar melhor para descansar. Vossa Graça não merece dormir dessa forma.
- Não se preocupe, Marco. Estou ótima. Eu é que lamento por você ter passado a noite me vigiando. Não gosto que faça isso, mesmo com boas intenções. Acho que se esforça muito.
Marco sorriu e sentiu ficar corado pelas doces palavras que ouvira.
- Não foi nada, Alteza. Só estou cumprindo o meu dever.
- E está fazendo um ótimo trabalho! – disse a princesa com um belo sorriso, jogando as mãos para trás, como se estivesse com vergonha de dizer aquilo.
Os dois se olharam por alguns instantes e sorriram um para o outro. Depois de alguns instantes, o silêncio incomodou Anitta.
- Então, acho que não vamos ficar aqui nos olhando o dia todo, certo? – disse Anitta, quebrando o silêncio. Estava um pouco envergonhada.
- Não, não. – respondeu ele com uma risada. - Vamos continuar o que viemos fazer.
Nisso, Llynx desceu da copa da árvore e caiu ao lado de Marco. Ao atingir o chão, se limpou de algumas folhas que caíram sobre ele.
- Bom dia, senhor Llynx. – disse a princesa.
Llynx respondeu o bom dia da princesa, mas com muita frieza em sua voz. Ela ficou um pouco sem graça com a atitude dele, mas não se importou muito. Llynx na maioria do tempo falava com frieza. Não mudava de tom. As suas vestes o descrevia: era misterioso, frio e calculista. Não se sabia muito daquele homem; de onde vem, o que faz, qual é sua família.
Marco não ficou satisfeito com a frieza de Llynx.
- Quando partiremos? – perguntou Marco em tom grosseiro.
- Agora. – respondeu Llynx.
Marco desmontou a barraca em que Anitta dormira. Só de ver a barraca dava vontade de deitar e descansar por um tempo. Não foi fácil ficar na correria que teve no dia anterior e ainda virar a noite acordado de sentinela.
Ao terminar de desmontar a barraca, Llynx avisou aos dois.
- Ah, ia me esquecendo de falar. Primeiro precisamos que você troque suas roupas. – disse ele a Anitta. –Todos te conhecem e a roupa chama muito a atenção. Não queremos levantar suspeitas.
- Mas o que a princesa vestirá? Ela não pode sair nua por aí! – disse Marco, um pouco revoltado.
- E segundo, é melhor você parar de trata-la formalmente. Precisamos manter sigilo absoluto. – respondeu Llynx com rispidez. – Compraremos roupas para Anitta assim que chegarmos a Ghest’al.
- Petulante. – resmungou Marco.
Anitta viu que Llynx tinha razão e tentou consolar Marco, dizendo que o mago tinha razão. Teriam que manter sigilo para salvar a vida de quem Llynx havia pedido. Os três saíram em caminhada ao noroeste, para alcançar Ghest’al. Pelo caminho, enfrentaram algumas criaturas selvagens, mas nem sinal dos soldados do Império.
Finalmente, depois de três horas de caminhada, chegaram à pequena cidade. Ghest’al era uma cidade de pequeno porte. Era conhecida por abrigar a sede dos Clan Hunters, os caçadores de elite que caçavam monstros, criaturas e até pessoas a serviço de outras. Não eram assassinos, nem justiceiros. Só caçavam pessoas e criaturas que faziam mal a outras pessoas. Quando cumpriam uma missão, ganhavam uma recompensa e, dependendo do nível da caçada, poderia adquirir uma qualificação maior e sair em busca de alvos mais fortes e mais valiosos.
Ao chegarem, passaram pelas partes menos populosas da cidade, onde certamente ninguém os reconheceria.
- Vou na frente ver se tem alguém que pode nos impedir. – disse Llynx.
Llynx passou por alguns becos até chegar ao centro da cidade. Lá, ele encontrou o que ele temia encontrar. A cidade estava infestada de Imperiais. Seria impossível passar com Anitta vestida daquele jeito. Llynx retornou para onde os dois estavam.
- Os Imperiais estão por todos os lados. Temos que arranjar uma forma de te deixar menos reconhecida. – disse ele para Anitta.
Uma das ruas de Ghest'al, com o brechó ao fundo.
Marco, ao ouvir aquilo, pensou se não seria melhor chamar os Imperiais para prender Llynx e voltar à rotina, mas fora puxado pelo braço por Anitta até um pequeno brechó ali perto. Llynx ficou do lado de fora, vigiando caso algum soldado do Império entrasse. Marco e Anitta chegaram perto do balcão, onde foram recebidos por uma mulher já mais velha.
- Alteza! Que honra recebe-la aqui! Capitão Marco, também é ótimo recebe-lo! – disse a atendente com euforia. Os dois responderam com um sorriso. – Em que posso ajudar?
- Preciso de uma roupa mais simples. – respondeu Anitta, engolindo em seco pelo que a atendente poderia responder.
- Hm... Alteza, desculpe minha curiosidade. Mas por que Vossa Graça quer comprar da minha loja? Tenho roupas tão simples e feias. As suas são deslumbrantes! Olha o seu vestido, por exemplo!
De fato, Anitta estava muito bela. Estava com um vestido azul claro, cheio de detalhes com brilhantes e diamantes. Estava muito chamativo para a fuga.
- Obrigado, mas realmente preciso de roupas mais simples. Poderia me mostrar?
- Claro! Desculpe minha intromissão. – respondeu a atendente.
Ela saiu de trás do balcão e foi ajudar a princesa a escolher suas roupas. Demoraram um pouco para escolher tudo. Depois de um tempo, a princesa saiu dos fundos do brechó e se aproximou de Marco, que estava de frente à porta também na vigia.
- Marco, olhe só. O que você achou?
Marco se virou e viu como sua princesa havia mudado. Seus longos cabelos loiros foram jogados para trás e parte deles fora preso com um laço azul. Trocara seu vestido por uma blusa branca de manga longa com babados nas mangas e um pequeno decote. Estava com um colete azul por cima da blusa. Usava uma calça colada azul e um par de sapatos brancos. A calça mostrava muito bem suas curvas. O único acessório que tinha era um pequeno cristal que ganhara de sua falecida mãe. Ela estava tão bela quanto antes.
- Está deslumbrante, princesa. Belíssima. – respondeu ele.
Anitta ficou satisfeita com a resposta. Estava feliz e um pouco envergonhada. Naquele momento, Llynx entrou no brechó para pedir que se apreçassem. Ele viu a princesa com suas novas roupas e parou um pouco.
- O que acha, Llynx? Está bom?
Llynx agiu com indiferença.
- Sim, mas só falta uma coisa.
Ele foi em direção a uma estante que estava com óculos escuros. Pegou qualquer um e o entregou a Anitta.
- Ponha-o. Talvez ajude.
Anitta os colocou e foi ao um espelho para se arrumar. Marco não tirava os olhos da princesa.
- Está babando. Quer um lenço? – perguntou Llynx para Marco em um tom baixo o suficiente para que a princesa não ouvisse.
Marco se irritou, mas ignorou Llynx. Ele foi em direção à atendente e perguntou a quantia que deveria ser paga.
- Não vou lhe cobrar caro. – disse ela. – Para vocês, cobro 250 gil.
Marco a pagou e agradeceu. Anitta deixou o brechó contente com suas novas roupas. Estava pronta para a aventura. Ao sair, Llynx a parou novamente.
- Tome. – disse ele, lhe entregando um White Staff. – Vai precisar disso para se defender.
Anitta pegou a arma e a admirou um pouco. Aquele cajado a defenderia de seus inimigos.
- E lembrem-se. – disse Llynx. – Nada de formalidades para não levantar suspeitas.
Os três saíram para o centro da cidade para pegar o trem. Tentaram agir com muita discrição para não serem percebidos. Ao chegarem na praça central de Ghest’al, ouviram um homem gritar de cima de uma estátua do Imperador.
- Aviso a todos que participarão do Festival da Caçada! O trem vai partir em 15 minutos! Aprontem-se e embarquem logo.
Enquanto se aproximavam do trem, Marco estava pensando se aquilo que iriam fazer era certo. Ainda podia voltar com a princesa e evitar que ela corresse perigo. Nisso, um dedo cutucou seu ombro.
- Capitão? – disse uma voz.
Marco se virou e viu Biggs e Wedge no meio daquela multidão.
- Biggs! Wedge! O que fazem aqui?
- Estávamos procurando pelo senhor. – respondeu Biggs. – Depois que o senhor e a princesa sumiram de Tia’bra, o Capitão Gilgamesh imaginou que estariam nas redondezas e mandou as Armadas virem busca-los.
- O senhor conseguiu encontrar a princesa? – perguntou Wedge.
Marco deu um nó na garganta. Não sabia o que responder. Se dissesse que sim, prenderia Llynx e trancaria Anitta novamente no palácio. Se não, poderia continuar a viagem com ela até Fontaine e resolver esse problema. As palavras demoraram para sair da boca de Marco.
- Não... – disse ele. – Não. Não a encontrei ainda. Quem mais está aqui?
- Há soldados de ambas armadas aqui, capitão. – respondeu Wedge.
- Procurem nas redondezas. Vou procurar a princesa no trem antes que ele parta. Encontrem-me aqui assim que o trem sair. – ordenou Marco.
Biggs e Wedge fizeram continência e sumiram no meio da multidão. Marco suspirou e estava um pouco arrependido de mentir para seus homens. Mas já era tarde, não podia voltar atrás. Seguiu em frente e embarcou no trem. Anitta e Llynx já o esperavam lá dentro.
O trem do Festival da Caçada.
- Acabei de encontrar com Biggs e Wedge. Vou ter que transitar pelo trem para não levantar suspeitas. – Marco olhou para Llynx e custou a fazer com que as palavras a seguir saíssem por sua boca. – Cuide de Anitta até eu voltar.
Anitta se surpreendeu com o pedido de Marco. Llynx balançou a cabeça concordando e Marco sumiu em meio ao tumulto que o trem estava. Anitta tentou procurar os olhos de Llynx no meio daquela escuridão para conversar.
- É estranho ouvir isso dele. Ele sempre quis me proteger e estar ao meu lado. – disse ela, rindo.
- Ele se preocupa muito com você. – disse Llynx.
Anitta pensou em Marco e no bem que ele transmitia a ela. Era ótimo ter ele ao seu lado. Sentia-se segura e protegida.
- Vamos procurar um lugar para nos sentar. – sugeriu Llynx.
Instantes depois que Llynx e Anitta acharam uma poltrona para se sentar, o trem apitara e deu a partida. Estava deixando a estação de Ghest’al naquele momento, em direção a Fontaine. Se tudo corresse bem, chegariam a Fontaine antes de anoitecer.
Marco deu umas voltar no trem e viu a paisagem dos prédios passando. Estava arrependido do que acabara de fazer com seus soldados e se sentou em um banco, suspirando. Nem percebera que alguém estava passando a mão pelos seus bolsos, tentando lhe roubar. Só sentira quando a mão escorregou com um solavanco do trem e bateu em sua cintura. Quando percebeu, estava sendo assaltado por uma jovem. Ele rapidamente segurou o braço dela e apertou com força.
- Como você é esperta. Tentando se aproveitar da minha distração. Eu devia te prender agora. – disse ele.
A jovem tentava se soltar de qualquer forma. Marco estava apertando com muita força o braço e estava o torcendo.
- Está me machucando! – disse ela. – Vai quebrar o meu braço!
- Eu deveria fazer isso mesmo. Não merece tê-lo depois do que fez.
- Me perdoe. Não farei isso mais. – ela começou a derramar algumas lágrimas de dor.
Marco se levantou e a arremessou contra a poltrona. A jovem passava a mão pelo braço machucado e estava com as marcas dos dedos do paladino neles. Ela levantou sua face cheia de ira e lágrimas contra Marco.
- Maldito! Olhe o que você fez. – nisso, a jovem sacou uma faca retorcida de seu cinto. – Jurei que nenhum homem iria me machucar mais e vou cumprir essa promessa. Vou me vingar de você!
A jovem avançou para cima de Marco, mas ele conseguiu desviar e a faca acertou a porta do vagão do trem, abrindo-a. Ele não entendia o que ela queria dizer com se vingar dele. A porta aberta revelou alguns soldados do Império chegando ao vagão e ficaram por entender o que estava acontecendo. A jovem, irritada ainda tentou partir para cima do capitão. Pronto para desviar da investida, ela foi mais ligeira e o agarrou por trás, colocando a sua faca próxima à jugular dele.
- Solte o capitão! – disseram alguns soldados.
- E agora? Quem você acha mais forte? – disse ela para Marco. – Minha Khukri está com sede. Que tal eu cortar o seu pescoço para alimentá-la?
- Que bom, hein? Você tenta me roubar, não consegue e agora tenta me matar. Vocês ladrões são muito previsíveis.
- Mas também podemos ser muito perigosos. – disse ela, enquanto o puxava para trás.
- Por que quer se vingar de mim? Nem te conheço!
- Não se faz de sonso, palhaço! Você cavou sua sepultura desde que matou meus pais!
-Eu?! Seus pais? Está louca?
Os Imperiais estavam armados com espadas e revólveres apontados para a jovem que rendeu Marco. Ela gritava a toda hora que era para se afastarem, ou o mataria. Ficou tanto tempo rendido e andando que chegaram ao vagão onde Llynx e Anitta estavam. Ao ver que Marco estava rendido, Anitta se levantou imediatamente e se pôs a gritar.
- Escute, moça, ordeno que liberte este homem agora!
- Ordena? – a jovem deu altas gargalhadas. – Quem você pensa que é para mandar em mim?
- Sou a princesa Anitta Von Tia’bra, filha do Imperador Cidolfus! – gritou ela, retirando seus óculos. Naquele momento todos os caçadores pararam de ver a possível morte de Marco e repararam na princesa.
- A princesa? Aqui? – todos começaram a comentar, surpresos por ela estar naquele trem.
Anitta percebeu a burrada que fez. Llynx demonstrou decepção com ela por ter entregado o plano.
- Então a princesa está aqui? – disse uma voz familiar no meio dos soldados. Era a voz de Gilgamesh. – Já suspeitava que a tivesse encontrado, irmãozinho.
A jovem se surpreendeu por tantos Imperiais estarem juntos que entrou em pânico.
- Vocês não vão me pegar! Não vão mesmo! – disse ela, aproximando a sua Khukri ainda mais do pescoço de Marco.
- Eu acho que te conheço, mocinha. – disse Gilgamesh para a jovem. – Vi seu retrato na sede do clube dos Clan Hunters. Como era seu nome mesmo? Maya?
A jovem se calou, mas ficou ainda mais desesperada.
- Acho que temos aqui duas pessoas para serem presas, irmãozinho. – disse Gilgamesh para o irmão. – Aquele carinha encapuzado do lado da princesa e essa rata de esgoto em cima de você.
- Rata? RATA!? Como ousa, seu demônio?! – Maya largou Marco e avançou para cima de Gilgamesh. – Depois do que você causou a minha família? Desgraçado!
Quando Maya ia esfaquear Gilgamesh, ele a golpeou na cabeça, fazendo com que caísse desacordada. Marco olhou a cena com espanto enquanto passava a mão pelo pescoço para verificar se estava sangrando.
- Por que essa menina tem tanto ódio de você? – perguntou Marco a Gilgamesh. – O que você fez à família dela?
- Digamos que fui obrigado a encomendar a família dela para um lugar melhor do que Gaia. – respondeu Gilgamesh com gargalhadas.
Marco ficou aterrorizado com a atitude do irmão.
- Não acredito que você matou os pais dela por prazer. Como pode? – disse ele.
- Ora, eles são a ralé da sociedade. Ninguém vai sentir falta deles. – respondeu Gilgamesh com um pouco de risos. – Além do mais, eram ladrões da pior laia. Ela também merece a morte.
Gilgamesh retirou sua espada japonesa recém-adquirida, a Asura, e ia cravá-la nas costas de Maya. Quando ele ia mata-la, foi salva por Anitta e Llynx que a levantaram e rapidamente se levantaram e ficaram ao lado de Marco.
- E vocês? – perguntou Marco aos soldados que estavam ali, decepcionado. – Admiram a atitude de seu líder?
Eles começaram a rir junto com Gilgamesh, em resposta a Marco.
- É claro que sim. – respondeu Marco para si mesmo. – São soldados corruptos, só pensam em se divertir à custa de outros. Os soldados da minha Armada não fariam isso.
Gilgamesh parou de rir subitamente e levantou à espada contra Marco.
- Tudo bem, chega de brincadeira. – disse ele ao irmão e seus companheiros de viagem. – Entregue a princesa sem que ninguém se machuque.
Marco começou a recuar para proteger a princesa.
- Estou decepcionada com você, Gilgamesh. – disse Anitta. – Como pode fazer isso? Não pode sair por aí matando as pessoas por diversão.
- Não se preocupe comigo, majestade. – respondeu Gilgamesh com grosseria. – Já sou adulto e faço o que quero. Ao contrário de você que faz o que os outros dizem que é melhor. Agora venha. O palácio te aguarda.
- Com você? Nunca! – gritou ela antes de correr pelos vagões do trem. Ela foi seguida por Marco e Llynx, que carregava Maya em seus ombros.
- O que estão esperando, idiotas? Vão atrás dela! – gritou Gilgamesh para seus soldados.
Os soldados perseguiram o grupo pelo trem com um vagão de distância deles. Quando o grupo chegou ao último vagão antes da locomotiva, Marco deu a ideia que subissem para fora do trem, ficando em cima dos vagões. Marco ajudou Anitta a subir e depois ajudou Llynx com Maya. De lá de cima, notaram onde estavam. Estavam em um lugar alto, coberto por nevoeiros. Lembraram que os trilhos passavam por um lugar alto ao passar pelas terras de Royale. Se caírem daquela altura, se espatifariam no chão como ovos caindo de uma bancada de cozinha.
Ao avançarem, perceberam que os soldados de Gilgamesh os seguiram pelo telhado. Os soldados partiram pra cima de Marco e este começou a lutar contra os soldados. Llynx percebeu que precisava ajudar e disse para Anitta tomar conta de Maya enquanto ele ajudava Marco.
Llynx sacou suas Shadow Blades e, num ataque surpresa, ele as usou para perfurar um dos soldados e rapidamente se levantou para lutar conta o outro. O soldado caiu ferido, quase morto. Os outros dois estavam lutando com Llynx e Marco. O trem fazia muitos solavancos e os soldados não tinham experiência com lutas em lugares em movimentos. Marco nocauteou seu oponente com uma pancada com o cabo da Greatsword. Llynx se afastou um pouco e usou Stop, uma Time Magick. O soldado ficou paralisado, sem movimento. Não piscava e nem respirava. Tornou-se uma estátua.
- Nossa, quanta eficiência! Aplausos para vocês dois. – disse Gilgamesh ao se aproximar aplaudindo. Quando terminou, sacou sua Asura. – Agora é a minha vez!
A Black Magick Blizzard sendo conjurada em um monstro.
Gilgamesh pulou em cima de Llynx. Ele desviou e soltou uma Black Magick Blizzard na barriga de Gilgamesh. Ele se afastou um pouco, com dor. Limpou alguns estilhaços de gelo e voltou para cima de Llynx. Marco bloqueou o ataque e afastou a katana de si. Aproveitando, Gilgamesh chutou a perna de Marco, derrubando-o. Llynx conjurou mais uma Blizzard em Gilgamesh, dessa vez o derrubando. Gilgamesh se levantou e não gostou do que viu. Marco estava com seu Limit Break carregado ao máximo.
- Fim de jogo, irmãozão. – disse Marco levantando sua espada para o alto. – Espírito do diabo da inquietação... Cleasing Strike! – Marco abaixou sua espada como se estivesse dando um golpe no ar. Nisso, uma espada azul sombria apareceu embaixo de Gilgamesh. O cabo dela começou a brilhar em três partes e subiu como um foguete, acertando Gilgamesh no queixo com a ponta de sua lâmina, como um gancho e depois desaparecendo no ar.
O impacto foi tão forte que ele quase caiu do trem. Gilgamesh se levantou com sua boca sangrando. Infelizmente, enquanto se levantava, Marco e Llynx perceberam que o Limit Break de Gilgamesh também estava cheio.
Cloud usando Blade Beam em Sephiroth (Dissidia Final Fantasy).
- Vai se arrepender, irmãozinho. – Gilgamesh levantou sua Asura horizontalmente. – Blade Beam! – A espada japonesa começou a brilhar com um azul pálido. Quando estava totalmente carregada, Gilgamesh cortou o ar com ela e uma lâmina verde pálida começou a voar pelo ar na direção de Llynx, Marco, Anitta e Maya.
Os dois ficaram próximos de Anitta e Maya para protegê-las do ataque. Llynx disse algumas palavras em uma língua desconhecida para si mesmo e criou uma barreira de sombras, protegendo os quatro contra o ataque. A lâmina azul pálida se chocou contra a barreira de sombras e começou a força-la. Llynx tentava aguentar firme o ataque e sentiu que a barreira não ia resistir ao Limit Break.
- A barreira não vai aguentar mais muito tempo. – avisou Llynx.
Mal terminou a frase e a barreira explodiu junto com a lâmina. O impacto da explosão empurrou os quatro para fora do trem. Os quatro caíram gritando em meio ao nevoeiro próximo aos altos trilhos sustentados por altas e largas hastes de ferro. Gilgamesh olhou para baixo e viu o irmão cair até desaparecer nos nevoeiros. Alguns soldados da Armada de Netuno ficaram ao seu lado.
- E agora, senhor? – perguntaram a Gilgamesh.
- Agora seguiremos com a segunda parte do plano. Em breve alcançaremos nossos objetivos e faremos um novo Império. – respondeu ele com uma risada maléfica.
O que vai acontecer? Será que os quatro sobreviverão à queda, ou algum deles não conseguirá? Serão capazes de chegar a Fontaine e realizar o pedido de Llynx? Quem era Maya? Ela era uma pessoa boa ou ruim? E Gilgamesh? Quais são os planos dele?
Se liguem no próximo capítulo de Final Fantasy XV para descobrir! Vem aí: Capítulo 4: O Jardim da Morte!

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